O case study da Nova SBE
Já estudei e investiguei nas áreas de ciência política e gestão de empresas em cinco universidades diferentes, em Portugal e em Espanha; nenhuma delas se chamava Nova SBE. Conheço esta instituição de ensino através de amigos e familiares que lá estudaram ou ensinaram, por eventos a que assisti e, claro, pelo brand awareness que foi sendo construído ao longo dos anos.
No meio académico e fora dele, a marca Nova SBE tem vindo a ganhar
um destaque inegável. As posições cada vez mais cimeiras nos diversos rankings
do Financial Times (que avaliam as business schools de todo o mundo
segundo vários critérios) e a qualidade dos docentes e discentes que lá
trabalham e estudam, têm vindo a impactar tanto o mercado académico como o
empresarial. Não é obra do acaso constatar que a Nova SBE é a primeira opção
para muitos alunos de mérito portugueses e estrangeiros. Aquela que é a 17ª
melhor business school europeia, segundo o Financial Times, e com dois
mestrados entre os dez melhores do mundo, tem hoje a capacidade de competir com
a melhor concorrência da Europa para atrair os melhores alunos de todos os
cantos.
Neste contexto, é compreensível a recente polémica que decorre dum
despacho que determina que as diferentes faculdades devem ter designação em
português (podendo acrescentar uma versão em inglês num modelo bilíngue). Faz
sentido forçar uma mudança de nome desta instituição, correndo o risco de
impactar negativamente na marca criada e promovida consistentemente durante
anos? A resposta parece óbvia.
O uso da língua inglesa na área da gestão é estrutural – neste
campo, o inglês é verdadeiramente uma língua franca. Como o leitor certamente
já se apercebeu, usei propositadamente neste artigo algumas expressões em
inglês, não por pretensiosismo ou qualquer outro “ismo”, mas porque são termos
usados de forma corrente tanto no meio académico como no meio empresarial. Do
mesmo modo, poderia dar muitos outros exemplos que são usados, como os 4Ps do
marketing mix (product, price, place, promotion), a análise swot (strengths,
weaknesses, opportunities, threats), etc. É certo que todos estes exemplos podem
ser traduzidos para melhor compreensão, mas o ponto é que, nesta área de
conhecimento, a língua inglesa tem uma expressão mais universal do que noutras.
Talvez, por isso, não seja surpreendente que muitos dos proponentes e apoiantes
desta mudança forçada provenham de áreas fora do mundo da gestão e desconheçam,
ou nunca tenham experienciado diretamente, o contexto mais competitivo e global
que lá se vive.
A língua portuguesa é um dos idiomas mais falados no mundo, sendo
um elemento crucial de projeção de Portugal no mundo. Do mesmo modo, casos como
o da Nova SBE são exemplos singulares do melhor que Portugal pode oferecer, com
amplo reconhecimento externo, mesmo quando recorrem ao inglês para projetar a
sua marca além-fronteiras — língua usada pela maior parte da sua concorrência
internacional (seja ela espanhola, francesa, suíça, etc.), bem como por outras
grandes marcas portuguesas.
Em suma, obrigar uma instituição de reconhecimento internacional a
abdicar da designação que sustenta a sua projeção externa gera externalidades
negativas para a competitividade global do conhecimento em Portugal, que
superam quaisquer externalidades positivas associadas à promoção da língua
portuguesa.
Casos como o da Nova SBE devem ser estudados, acarinhados e, se
fizer sentido, replicados. Haja liberdade para o fazer.
David Pimenta (Artigo também publicado em: https://observador.pt/opiniao/o-case-study-da-nova-sbe/)

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