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Imigração sem estratégia, emigração sem retorno

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  Em Portugal continua a discutir-se o tema das migrações como se vivêssemos no século XX. Para além do lado quantitativo sobre as entradas e saídas, importa abordar o lado qualitativo, i.e., a qualidade do talento que existe nesses movimentos. O tema das migrações é complexo e multivariado, considerando que abrange dimensões etnoculturais, intimamente ligadas a fatores identitários e psicológicos de indivíduos e coletivos, com respetivo impacto na coesão política e social dos estados. Não havendo aqui espaço de escrita para um tratado sobre migrações, o presente artigo olha sobretudo para a perspetiva do indivíduo enquanto agente económico que pretende obter rendimento a partir do seu talento. Durante décadas, habituámo-nos a olhar para a emigração como uma fatalidade histórica. Dos fluxos para França nos anos 60 do século XX à vaga pós-crise de 2011, sair sempre fez parte da experiência portuguesa. Mas há uma diferença fundamental hoje: estamos a perder precisamente aqueles d...

Liberdade, tradição e mercado: lições esquecidas de Adam Smith e Edmund Burke

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  Adam Smith e Edmund Burke são frequentemente colocados em campos distintos da história do pensamento. O primeiro é lembrado como o fundador da economia moderna e um dos grandes defensores do mercado livre. O segundo é visto como um dos pais do conservadorismo político e um crítico das revoluções modernas. No entanto, esta distinção esconde uma profunda ligação intelectual (e também pessoal, considerando que os dois pensadores se conheceram). Smith e Burke foram contemporâneos no século XVIII e partilharam certas afinidades políticas com os chamados Rockingham Whigs , uma fação do partido Whig que defendia a limitação do poder da Coroa e a preservação das liberdades constitucionais tradicionais. Mais do que uma simples coincidência biográfica, essa proximidade revela algo essencial: ambos pertenciam a uma tradição intelectual que via a liberdade não como um projeto abstrato, mas como uma construção histórica e institucional. O ano de 1776 simboliza bem esse espírito. Nesse an...

Procura-se novo (ou velho) partido reformista

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Vários partidos e políticos da história portuguesa têm reclamado o rótulo de reformistas e, demasiadas vezes, o dito reformismo ganhou um caráter etéreo e poucas vezes foi aplicado. Contudo, desde o 25 de Abril de 1974, alguns exemplos reformistas saltam à memória, especialmente no espectro do centro-direita. Um deles diz respeito aos governos de Aníbal Cavaco Silva que, num contexto positivo de progressiva integração de Portugal na CEE, contribuíram decisivamente para distanciar o país das heranças do Estado Novo e do PREC, através do desenvolvimento de infraestruturas e da transição para uma economia social de mercado alimentada pela entrada de capital privado em diversos setores. Outro exemplo, num contexto negativo de crise financeira, foi o governo de Pedro Passos Coelho com a implementação num curto espaço de tempo de um programa de reformas de grande amplitude: desde uma maior flexibilização laboral, privatizações de empresas públicas, até propostas de reforma da segurança soc...

O case study da Nova SBE

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Já estudei e investiguei nas áreas de ciência política e gestão de empresas em cinco universidades diferentes, em Portugal e em Espanha; nenhuma delas se chamava Nova SBE. Conheço esta instituição de ensino através de amigos e familiares que lá estudaram ou ensinaram, por eventos a que assisti e, claro, pelo brand awareness que foi sendo construído ao longo dos anos. No meio académico e fora dele, a marca Nova SBE tem vindo a ganhar um destaque inegável. As posições cada vez mais cimeiras nos diversos rankings do Financial Times (que avaliam as business schools de todo o mundo segundo vários critérios) e a qualidade dos docentes e discentes que lá trabalham e estudam, têm vindo a impactar tanto o mercado académico como o empresarial. Não é obra do acaso constatar que a Nova SBE é a primeira opção para muitos alunos de mérito portugueses e estrangeiros. Aquela que é a 17ª melhor business school europeia, segundo o Financial Times, e com dois mestrados entre os dez melhores do mundo...

Outubro à Direita: transformações locais com impacto nacional

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  Na sequência das eleições legislativas de maio, as próximas eleições autárquicas, juntamente com a eleição presidencial marcada para janeiro de 2026, moldam a agenda política e mediática portuguesa. Este artigo centra-se nos principais partidos do espectro da direita (incluindo os partidos de centro-direita) – nomeadamente PSD, Chega, IL e CDS-PP – o segmento que domina, no presente, o parlamento nacional. A atenção recai sobre as eleições autárquicas, o próximo grande acontecimento político, simultaneamente condicionado pelos resultados das legislativas e com potencial para influenciar a dinâmica da futura corrida presidencial. Uma análise das eleições autárquicas deve começar por reconhecer duas mudanças estruturais reveladas no mais recente sufrágio nacional. Em primeiro lugar, os partidos de direita conquistaram coletivamente quase dois terços dos assentos parlamentares, um resultado sem precedentes na democracia portuguesa. A AD obteve mais deputados do que toda a esquer...

Guerras tarifárias, prosperidade e paz

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  A guerra de tarifas aduaneiras que os EUA de Donald Trump têm despoletado contra uma série de parceiros comerciais tem por base o argumento do reequilíbrio da balança comercial norte-americana que tem estado deficitária face a alguns desses parceiros. Outro argumento poderosíssimo apresentado pela administração Trump é mais emocional e identitário – castigar os “outros” para proteger os “nossos”, mais concretamente, proteger as empresas e os empregos dos americanos. Em contra corrente, a ciência económica olha para o déficit comercial norte-americano de outro prisma. No caso dos EUA, para além dos níveis de consumo elevados, o déficit é sobretudo produto da sua vibrante economia (sustentada por alta produtividade e pouca regulação) que atrai investimento estrangeiro. As entradas massivas de capitais estrangeiros contribuem também para tornar o dólar a reserva de valor global por excelência. Assim se percebe que o valor dos bens importados seja mais barato do que o dos bens expo...

Os radicais da frente leste

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  No passado domingo a proa do navio do dito establishment político europeu sofreu rombos adicionais. As eleições nos estados alemães da Turíngia e Saxónia revelaram mais uma subida do suspeito do costume – a direita radical – e também da esquerda radical. Na Turíngia, a direita da Alternative für Deutschland (AfD) ganhou as eleições, depois do terceiro lugar em 2019; e a esquerda da Bündnis Sahra Wagenknecht (BSW) estreou-se nas eleições como o terceiro partido mais votado, ultrapassando inclusive o Die Linke que tinha vencido em 2019. A vitória da AfD na Turíngia revelou também uma vitória dos mais radicais entre os radicais. Neste estado, o partido é liderado por Björn Höcke – político controverso, inúmeras vezes acusado de fazer resvalar o partido de direita radical para a extrema-direita devido a discursos associados a posições antissemitas e até neonazis. No estado da Saxónia, a AfD manteve o segundo lugar que obteve em 2019, mas com uma percentagem muito próxima da C...