Imigração sem estratégia, emigração sem retorno
Em Portugal continua a discutir-se o tema das migrações como se vivêssemos no século XX. Para além do lado quantitativo sobre as entradas e saídas, importa abordar o lado qualitativo, i.e., a qualidade do talento que existe nesses movimentos. O tema das migrações é complexo e multivariado, considerando que abrange dimensões etnoculturais, intimamente ligadas a fatores identitários e psicológicos de indivíduos e coletivos, com respetivo impacto na coesão política e social dos estados. Não havendo aqui espaço de escrita para um tratado sobre migrações, o presente artigo olha sobretudo para a perspetiva do indivíduo enquanto agente económico que pretende obter rendimento a partir do seu talento. Durante décadas, habituámo-nos a olhar para a emigração como uma fatalidade histórica. Dos fluxos para França nos anos 60 do século XX à vaga pós-crise de 2011, sair sempre fez parte da experiência portuguesa. Mas há uma diferença fundamental hoje: estamos a perder precisamente aqueles d...