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O PSD de Rio e o amanhã

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  Na apresentação da sua recandidatura a líder do PSD, Rui Rio surgiu tenso e acossado, preparado para a guerra. Rio apelou, mais uma vez, à união do PSD em torno da sua liderança, mas o seu tom e postura não tinham nada de agregador; Rio apresentou sobretudo uma grande vontade em esmagar a oposição interna, algo raramente visto em relação à oposição externa do PS que, antes da não aprovação do orçamento de Estado, sempre foi tratada com uma docilidade institucional explicada por um alegado respeito à estabilidade (ou estagnação, segundo algumas opiniões) do país. Considerando o PS contemporâneo um catch all party , ideologicamente social-democrata, que capta votos ao centro e à esquerda, qual a identidade do atual PSD? O atual PSD é parte do que o PS é e não é muito mais – esse é o problema que Rio não tem conseguido resolver, por erros de comunicação e de ideologia. Rio esforça-se, vezes sem conta, por comunicar um PSD de centro e centro-esquerda ignorando que uma parte substan...

Um tsunami político chamado Zemmour

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  A quase seis meses das eleições presidenciais francesas começa a formar-se um tsunami de grandes dimensões de seu nome Éric Zemmour – um gigante mediático em França que é pouco conhecido em Portugal. Por enquanto. Zemmour é mais do que um simples comentador político, é um polemista e um cruzado contra o politicamente correto que tem ganho seguidores e capital político através da sua intensa e já histórica presença em vários formatos nos media , desde o Le Figaro, passando pela rádio até vários programas na televisão francesa. Adicionalmente, é um dos autores mais vendidos em França; a capa do seu último livro, “La France N'A Pas Dit Son Dernier Mot” , apresenta uma imagem que poderia ser a de um candidato à presidência – Zemmour engravatado, com um olhar determinado e cortante, acompanhado pela bandeira francesa. Filho de judeus berberes retornados da Guerra da Argélia, Zemmour nasceu e cresceu em Paris, onde se formou profissionalmente como jornalista político e amadureceu o...

Os Donos do Afeganistão

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  Entre 2014 e 2019 o Ocidente encontrou no Daesh um inimigo. Entretanto o Daesh perdeu grande parte dos seus recursos territoriais, energéticos, financeiros e humanos, desintegrando-se quase até à extinção; e eis que o grande público volta a ouvir, com cada vez mais frequência, a familiar palavra Talibã. A razão para tal acontecer deve-se sobretudo à declaração de 14 de abril do Presidente Joe Biden e respetivas consequências. Desde o anúncio de Joe Biden, sobre a retirada das tropas norte-americanas planeadas para setembro de 2021, que o controlo do território afegão tem mudado de mãos a um ritmo mais acelerado. Algumas fontes estimam que cerca de metade do país já se encontra dominado pelos Talibã e a liderança do grupo armado fala em 85% do território controlado. Em suma, parece ser uma questão de meses até que todo o Afeganistão seja conquistado pelos Talibã. O processo de tomada de poder já tinha começado antes do anúncio de Biden. A revista Time estimou em 2016 que 20% ...
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  Na sexta eleição da história do parlamento escocês, realizada na passada quinta-feira, os eleitores disseram sim à Escócia e não ao Reino Unido. Várias questões importantes para o futuro da Escócia foram debatidas durante a campanha: a reconstrução da economia no contexto pós pandemia, a sustentabilidade do sistema nacional de saúde, o combate às alterações climáticas e, claro, a independência do país. Em traços gerais o debate político foi marcado por muitos consensos e pontos em comum partilhados pelos principais partidos, excetuando na discussão da independência. Como era esperado o SNP (Scottish National Party) ganhou as eleições com 64 deputados (ficando apenas a um deputado da maioria) e, com o apoio do Partido Verde Escocês (Scottish Greens) que elegeu 8 deputados, foi alcançada uma inequívoca maioria política independentista. Entre a multidão dos 25 partidos que concorreram às eleições, destacou-se ainda o mau resultado do partido Alba (nome do país, em gaélico) que compr...

Fantasmas Irlandeses

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No momento em que os britânicos se despedem do príncipe Filipe, a região mais conturbada do reino é tomada de assalto pelos fantasmas do passado. Os recentes confrontos em várias cidades da Irlanda do Norte têm relembrado o mundo que na Europa a dimensão étnica dos nacionalismos está muito viva e irá impactar a política nos anos vindouros. A violência sectária tem afetado grande parte do território norte-irlandês onde os unionistas são maioria, desde a histórica cidade de Carrickfergus, inspiradora da nostálgica música tradicional irlandesa com o mesmo nome, até aos bairros da capital. O Muro de Berlim caiu em 1989, mas ainda existe um muro em Belfast que separa os irlandeses católicos da comunidade britânica protestante, descendente sobretudo de colonos ingleses e escoceses das low lands que, até há pouco tempo, eram os donos e senhores do território.  A violência que começou no passado mês de março deve-se em grande parte ao culminar de um debate político insatisfatório sobre o...

O novo velho multilateralismo americano

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  Desde a sua fundação, que os EUA têm oscilado entre o isolacionismo e o multilateralismo face ao resto do mundo. Frequentemente o multilateralismo americano culminou em intervenções bélicas, marcadas por estratégias de saída apressadas que deixaram vazios de poder complicados de gerir. Só a história irá revelar a natureza e consequências do novo velho multilateralismo que tomou recentemente o seu lugar com a eleição do presidente Joe Biden. O presidente Biden é um veterano em política externa e mostra-se já muito comprometido na dimensão internacional da política, apesar dos imensos fogos internos de uma América dividida e de uma pandemia por resolver. O ex Chairman do Comité do Senado para as Relações Externas, rodeou-se por veteranos em política externa como John Kerry e Antony Blinken (a ocupar o importante cargo Secretário de Estado), e trouxe de volta o clássico multilateralismo norte-americano que irá ser posto à prova em diversas frentes. No complicado Afeganistão, esp...

Kosovo - ontem e hoje

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Se para os ricos países da Europa ociden tal questiona-se a permanência n a União Europeia ( excetuando  casos menos prósperos como o de Portugal), na parte oriental do continente a UE continua a ser um sonho  por alcançar, sinónimo  de mais dinheiro, paz e democracia.  Neste sentido, com a integração europeia no horizonte , os líderes da Sérvia e Kosovo reuniram-se na semana passada ,  na Casa B ranca ,   com o  objetivo  de discutir  uma aproximação  entre os dois países ,  fomentada pela promessa do progresso económico resultante da concretização de  projetos  conjuntos e abertura mútua das duas economias.    A relação entre a Sérvia e o Kosovo é extremamente complexa e tão antiga como a própria fundação da nação Sérvia.  O território hoje conhecido como Kosovo tem uma história nebulosa e pouco documentada a té meados da baixa idade média.  É sabido que os eslavos colonizaram a região sob a s  b...